Mercado Internacional – Como a Pandemia de Covid 19 pode afetar as transferências de jogadores pelo planeta.

Medo, incerteza e dúvida. Em inglês, isto traduz-se pelo acrónimo FUD [Fear, Uncertainty, Doubt], normalmente aplicado ao marketing, sendo estratégia de desinformação utilizada como técnica para desacreditar um produto rival.

 

Quando estes três sentimentos penetram em qualquer mercado, porém, transformam-se numa séria ameaça para quem compra, para quem vende e para quem intermedeia. E o mercado de transferências de jogadores não é exceção, indo também ele lidar com os efeitos provocados pela ação conjunta desta nefasta trindade que os mercados tanto temem.

 

Erradicar a pandemia Covid-19 é a prioridade, agora, depois será tempo de fazer contas à vida e aos efeitos económico-financeiros, e consequências sociais, semeados pela emergência do novo coronavírus. Mas sejam quais forem o grau destes, a janela do próximo verão será bem menos rica que a última por causa da perda de receitas generalizada em toda a economia, não apenas no futebol.

 

Muito se tem falado das consequências para os clubes, mas os jornalistas da Soccer Machine foram atrás dos dos empresários, ver analisar e  perceber como analisam o momento que se vive e os impactos futuros do presente. Que veem a sua atividade paralisada precisamente numa altura em que a preparação da próxima janela de transferências começava a acelerar. Dizem que haverá impacto nas vendas e nas compras, até nas renovações. A perderem receitas e a terem de pagarem salários de planteis parados durante as próximas semanas, os clubes terão de fazer muito bem contas à vida quando voltar a chegar a hora de redesenhar as respetivas equipas. Vai haver menos capital disponível, menos margem para contratações por impulso.

Para o empresário Carlos Gonçalves, CEO da ProEleven, empresa partir da qual gere carteira com muitas dezenas de jogadores, espalhados pela Europa e não só, o Mundo está a enfrentar «crise única a nível global cujo impacto é ainda difícil de prever», sendo certo, porém, que o futebol está «dependente da economia a nível global» e, como tal, será impactado por tudo isto.

“Acreditamos que vamos ultrapassar esta fase, mas é impossível, neste momento, antecipar o futuro próximo. Primeiro temos que ultrapassar a crise pandémica e só depois pensarmos em como vamos ultrapassar esta fase em termos econômicos”, prioriza. Mas antecipa impacto profundo na abordagem ao mercado dos clubes perante a quebra de proveitos.

Os clubes, como todas as empresas, dependem do seu funcionamento para poderem ter receitas. Havendo impossibilidade de operarem, as receitas serão inexistentes nos próximos tempos. Sabendo que muitos clubes vivem com grandes dificuldades, não será fácil haver grandes transferências nos próximos tempos. Teremos todos de nos reinventar na forma como trabalharemos no futuro.

Também Carlos Gonçalves, como a generalidade dos portugueses, viu o Covid-19 alterar-lhe a rotina profissional.

O impacto foi de parada total. A ProEleven, desde o dia 9, decidiu enviar todos os seus colaboradores para casa por duas razões objetivas: a primeira e a principal para tentar protegê-los e para que estejam perto das suas famílias, e a segunda pela impossibilidade de podermos trabalhar sem restrições neste momento. Dada a impossibilidade de viajarmos, de fazermos reuniões presenciais e de podermos acompanhar os jogos dos nossos representados não fazia sentido continuarmos de portas abertas. Temos acompanhado os nossos representados por Skype e FaceTime, temos mantido um contato regular mas, nesta altura, são mais as dúvidas que todos temos em relação ao futuro próximo do que certezas. Resta-nos aguardar com esperança e responsabilidade nos nossos comportamentos para que tudo passe em breve e que todos possamos retomar as nossas atividades.

Artur Santos, agente que já opera há 25 anos no mercado português, francês e africano – iniciou em 1995 e os primeiros negócios passaram pelas colocações de Afonso Martins e Mustapha Hadji no Sporting de Santana Lopes – também já alterou rotinas por causa dos riscos de propagação do novo coronavírus. Tinha estado há poucos dias na Espanha e quando falou com a gente deslocava-se pelo centro do País para atender a reunião que estava seguro que seria a derradeira cara a cara nos próximos tempos. Agora é só contatos por telefone, e-mail, Whatsapp… Com as fronteiras restringidas ou a fecharem e os aeroportos condicionados não há mais nada que possamos fazer, observa. Mas a restrição de movimentos não é o que mais o preocupa nesta altura, mas sim as consequências que a crise terá nas finanças dos clubes e o impacto no mercado.

“Pelos contatos que tenho feito percebe-se que os clubes estão com medo, que esta incerteza é terrível, sem se saber se isto vai durar muito ou pouco tempo, sem saber se há dinheiro daqui a dois ou três meses… Estão todos assustados!, testemunha. Os clubes estão com um pé atrás, têm de pagar salários aos jogadores sem estarem recebendo receitas», vinham, antecipando um mercado de verão bem diferente do último.

 

Estou convencido que vai haver menos volume nas transferências, que os valores vão baixar de forma global, porque os clubes não vão conseguir suportar esta paragem, há clubes que vão ficar de rastos», sublinha. Vão ter problemas para contratar jogadores, vão pensar duas vezes antes de fazer contratações por valores absurdos.

 

E quem vive de vender jogadores também vai ficar prejudicado, porque já não vai conseguir esticar a corda nos preços. Do lado dos jogadores provavelmente irá verificar-se uma redução da massa salarial, antecipa, depois de ter tido de cancelar viagens a Polônia, Turquia ou França que já tinha agendadas antes do Covid-19 atingir em força o Velho Continente. «Há processos de negociação e de renovação que necessariamente terão de ficar parados, até porque a tendência é para a situação desta pandemia ficar mais complicada em Portugal durante as próximas semanas. Depois dessa fase pior, julgo que irá acalmar, mas quando forem retomados os processos negociais as condições já não serão as mesmas, os valores dos contratos irão baixar», prevê.

Visits: 18

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *